quinta-feira, 13 de agosto de 2015

A modinha do Funk Ostentação

Por Kel.

Vocês já devem ter ouvido essa música:

MC Guime - Plaque de 100

Contando os plaque de 100, dentro de um Citroën,
Ai nois convida, porque sabe que elas vêm.
De transporte nois tá bem, de Hornet ou 1100,
Kawasaky,tem Bandit, RR tem também. (2x)

A noite chegou, e nois partiu pro Baile funk,
E como de costume, toca a nave no rasante
De Sonata, de Azera, as mais gata sempre pira
Com os brilho das jóias no corpo de longe elas mira,
Da até piripaque do Chaves onde nois por perto passa,
Onde tem fervo tem nois, onde tem fogo há fumaça.

É desse "jeitim" que é, seleciona as mais top,
Tem 3 porta, 3 lugares pra 3 minas no Veloster
Se quiser se envolver, chega junto vamo além
Nois é os pica de verdade, hoje não tem pra ninguém.

Contando os plaquê de 100, dentro de um Citroën,
Ai nois convida, porque sabe que elas vêm.
De transporte nois tá bem, de Hornet ou 1100,
Kawasaky, tem Bandit, RR tem também.

Nois mantem a humildade,
Mas nois sempre para tudo
E os zé povinho que olha, de longe diz que absurdo.
Os invejoso se pergunta, tão maluco o que que é isso,
Mas se perguntar pra nóis, nóis vai responder churisso,

Só comentam e critica, fala mal da picadilha
Não sabe que somos sonho de consumo da tua filha.
Então não se assuste não, quando a notícia vier a tona,
Ou se trombar ela na sua casa,
Em cima do meu colo, na sua poltrona.

Contando os plaquê de 100, dentro de um Citroën,
Ai nois convida, porque sabe que elas vêm.
De transporte nois tá bem, de Hornet ou 1100,
Kawasaky, tem Bandit, RR tem também.


Devem também ter visto reportagens sobre os bailes funk que andam acontecendo nas ruas


Então chovem críticas a esses jovens que curtem o funk e aos bailes que andam acontecendo.

Bem, não estou aqui pra tirar a responsabilidade de escolha de ninguém, sim esses jovens são responsáveis pelos seus atos e consequências, porém já pararam pra perguntar de onde veio o incentivo pra que a maioria de nossos adolescentes façam essas escolhas?

Valores, sim esses são os valores transmitidos a eles por nós, querem exemplos, vamos analisar as pessoas consideradas bem sucedidas neste século e como elas vivem.

Roupas de marca, jóias, lugares badalados, mulheres e homens dentro dos padrões de beleza impostos culturalmente, carrões, viagens, bebidas, enfim muita badalação.

Tais cenas enchem os olhos e os sonhos de milhares de pessoas, que hoje querem chegar ao topo, e chegar ao topo significa alcançar todos os objetivos listados acima.

E como infelizmente os fins justificam os meios, ainda nesse planeta, vemos o número crescente de pessoas tentando chegar lá a qualquer custo, seja no trabalho agindo com falta de ética pra se dar bem, em cargos públicos recorrendo a corrupção, usando o corpo e o sexo, no crime, no tráfico, fazendo músicas que incentive determinados comportamentos,  afinal o grande objetivo de vida é se encaixar no grupo das pessoas de sucesso custe o que custar.

Não é falso moralismo não, o que realmente me preocupa são as consequências disso tudo, não porque alguém será condenado ao inferno...rs...mais porque muitas pessoas vão sofrer para que a minoria chegue no topo.

Sabemos que só uma pequena fatia consegue chegar lá, e quem ficou pelo caminho, o que acontece com eles?

Presos, mortos, viciados em drogas, famílias destruídas, desigualdade, injustiças, banalização da vida.

Individualismo em excesso....violência...

A verdade é que vivemos em uma guerra disfarçada....

Essas são as consequências de se atribuir a felicidade e o sucesso a valores materiais apenas....

Está na hora de revermos o conceito de felicidade e sucesso que estamos transmitindo aos nossos filhos.


segunda-feira, 10 de agosto de 2015

Ser um otimista realista...isso muda tudo

Por Kel.

Atualmente avistamos crises e mais crises ao redor do planeta, então como de costume, digo as pessoas, vamos acreditar, pensar positivo, ter esperança.

Algumas pessoas entendem que enxergar o mundo assim é agir como um bobo alegre ou iludido.

Não, esclareço, pensar positivo, ter esperança, não é olhar a realidade e distorce-la a ponto de se tornar agradável aos seus olhos, não é colorir de rosa uma parede cinza.

É enxergar sim os problemas que vivenciamos, mas, com um olhar de quem busca uma solução, com alegria, competência e principalmente a certeza que aconteça o que acontecer, seguirei adiante fazendo o melhor que eu posso por mim e por todos ao meu redor.

MANDELA -  Ele fez  ISSO


                                                         ROSA PARKS - Ela fez ISSO


GANDHI - Ele fez ISSO


FRIDA KAHLO - Ela fez ISSO


BETINHO - Ele fez ISSO


MARIA DA PENHA - Ela fez ISSO


MARTIN LUTHER KING  - Ele fez ISSO


MARA GABRILLI - Ela fez ISSO


STEPHEN HAWKING - Ele fez ISSO


MADRE TEREZA - Ela fez ISSO



VOCÊ....O que você anda fazendo?


segunda-feira, 27 de julho de 2015

Suas IDÉIAS, são SUAS?.

Por Kel.

Final de semana em casa, sem colocar a cara na rua, há tempos não fazia isso, em meio as obrigações, as brincadeiras com as crianças, os desenhos e jogos do X Box, tirei um tempinho pra mim e disse a eles:
-Agora é a vez da mamãe assistir um filme que ela gosta!!
Então pego o controle do X Box e começo a procurar no Netflix o que assistir?
Eu conheço a maioria dos desenhos...rs..mas filmes e séries...sou totalmente ignorante...hahaha...bom quem tem filhos pequenos sabe do que estou falando...sabemos tudo de Pepa Pig, Galinha Pintadinha, Enrolados, Carros, etc etc...mas aqueles filmes e séries que assistíamos quando eramos apenas nós ...nossa...Jack and Jill talvez? kkk

Não Jack and Jill não tem...rs...bem achei um filme que alguém havia me falado que era muito interessante "A Onda", selecionado, play, bacia de pipoca nas mãos e bora mergulhar.


Filme baseado em uma história real...uaaaauuu...por instantes você para e o mundo parece uma realidade virtual e você apenas um boneco que pensa que tem escolhas.....fiquei pensando quantas coisas já defendi, já me revoltei e me perguntando o que realmente era eu quem defendia e o que eram apenas idéias repetidas....realmente uaaaaaauuuu...caraca...isso foi no sábado, então domingo estou eu na mesma rotina e a tardinha repito:

- Agora é a vez da mamãe..rs..

E o pai dos meus filhos que está saindo pra trabalhar me sugere:

- Assiste o filme: O menino do pijama listrado é demais. (Ele não assistiu A onda comigo, estava trabalhando)


Que aula eu tive esse final de semana, não somente aula de história e politica, mais uma aula de como nossas atitudes influenciam o mundo em que vivemos.
Como as palavras que repetimos sem questionar podem ser cruéis, capazes de matar seres humanos, capazes de cometer as maiores atrocidades jamais vistas.
Cometemos essas atrocidades sem nunca disparar um tiro, mas somos diretamente responsáveis pelas idéias que transmitimos.

Pra finalizar, o vídeo abaixo, foi mostrado pelo meu pai, que quis me explicar a maneira que ele pensa a respeito da política.



O que quero dizer com esse post!!

Muito cuidado com o que você compartilha, com o que você acredita, tudo que pensamos e falamos é responsável pela nossa atual realidade.

Tenhamos humildade pra reconhecer que não sabemos quase nada e normalmente nos deixamos levar por idéias de outras pessoas que simplesmente nos convém, que vem de encontro com as nossas crenças e paradigmas, as idéias que nos agradam nem sempre são as melhores idéias.

É muito importante aprender a pensar e formar opiniões por nós mesmos, ouvir todos argumentos e realmente só aceitar aquilo que nos fizer sentido, que nos for verdadeiro e que puder se encaixar em duas palavras: AMOR E RESPEITO.

Um ótimo dia a todos vocês

terça-feira, 21 de julho de 2015

Peça!!




Por Kel.

Buscando respostas para minhas questões filosóficas, quando eu estou no ápice da dor, começo a questionar COMO, fazer isso passar.

Engraçado que pra mim nem sempre o mesmo recurso funciona, as vezes oro, as vezes medito, as vezes esbravejo, as vezes me distraio, as vezes canto, as vezes choro, as vezes durmo, as vezes faço piada, as vezes grito, mecho minhas energias....mais nunca é igual.

E a dor só passa quando eu PEÇO, ajuda ao invisível, quando eu PEÇO e confio, não importa o nome dele...não importa a concepção, acreditem já pedi a todas denominações e todas funcionaram...rs..

Já chorei ao som de louvores gospel, pontos de umbanda, mantras, musicas xamânicas, orações, rezas, poemas e canções....e todas as vezes que eu PEDI  a ajuda veio.

Não estamos sozinhos!!

PEÇA
  

quarta-feira, 15 de julho de 2015

Emoções






Por Kel.

"Uma emoção, em geral, representa um padrão de pensamento amplificado e energizado. Por conta da carga energética quase sempre excessiva que ela contém, não é fácil, a princípio, termos condições para observá-la. A emoção quer assumir o controle, e quase sempre consegue, a menos que você esteja presente e alerta. Se você for empurrado para uma identificação inconsciente com a emoção, ela se tornará, temporariamente, "você". É comum se estabelecer um círculo vicioso entre o pensamento e a emoção porque um alimenta o outro. O padrão do pensamento cria um reflexo amplificado de si mesmo na forma de uma emoção, fazendo com que a frequência vibratória desta permaneça alimentando o padrão de pensamento original. Ao lidar mentalmente com a situação, acontecimento o pessoa que é identificada como a causadora da emoção, o pensamento fornece energia para a emoção, a qual, por sua vez, energiza o padrão de pensamento, e assim por diante.
Basicamente, todas emoções são modificações de uma emoção primitiva não diferenciada, cuja origem é a perda da percepção de quem somos por trás do nome e da forma. É dificil encontrar um nome que descreva essa emoção primitiva. A palavra "medo" é muito próxima, mas, além do sentido de ameaça permanente, ela pode ser entendida como  um profundo sentimento de abandono e incompletude. Por isso, talvez, seja melhor usar uma palavra que não se confunda tanto com aquela emoção básica e chamar isso simplesmente de "sofrimento". Uma das principais tarefas da mente, uma das razões da sua atividade incessante, é a de combater ou eliminar o sofrimento emocional, embora ela invariavelmente só consiga encobri-lo por um tempo. De fato, quanto mais a mente tenta se livrar do sofrimento, mais ele aumenta. A mente nunca pode achar a solução, nem pode permitir que encontremos a solução, porque é, ela mesma, uma parte intrínseca do "problema". Imagine um chefe de polícia tentando achar um incendiário, quando o incendiário é o próprio chefe de polícia.Não nos livraremos desse sofrimento enquanto não extrairmos o sentido de eu interior da identificação com a mente, ou seja, o ego. A mente é, então, derrubada da sua posição de poder, e o Ser se revela em si mesmo, como a verdadeira natureza da pessoa.
Pág. 31/32 - livro O PODER DO AGORA - Eckhart Tolle

Por isso a importância dessas máximas ditas por Cristo:

"Conhece-te a ti mesmo"

"Orai e vigiai"

"Não julgueis"

Nós sabemos apenas em partes a "verdade" da vida, nosso "Ser" ou "Alma" trás essa verdade gravada em si, porém a outra parte da "verdade" é encoberta pela nossa percepção da vida, do mundo, a outra parte podemos chamar de "Mente", "Ego" ou "Carne".

Para entrarmos no reino dos céus, ou se unir ao todo e vivermos em plenitude sem sofrimento, precisamos aprender o caminho e passar pela tal "porta estreita".

O caminho é esse, permitir que o "Ser" o próprio Deus se manifeste através de nós e que seja feita a vossa vontade e não a minha.

É simples o que não quer dizer que seja fácil...rs

Pra mim entender tento raciocinar dessa forma: Pensamento, gera sentimento, gera ação que gera reação.

Quanto mais eu observar a mim, sem tentar controlar, vou conseguindo me conhecer melhor e com o passar do tempo discernir o que é a minha vontade "Ego" e qual a vontade de Deus "Ser".

Quanto mais eu consigo permitir fluir a vontade de Deus, menos o sofrimento toma conta da minha vida.

Fiquem com Deus e obrigada por me permitirem reaprender como estar presente.

Namastê (O Deus que habita em mim saúda o deusDeus que habita em você)

terça-feira, 7 de julho de 2015

O poema sobre o amor




O poema sobre o amor (https://pt.wikipedia.org/wiki/Primeira_Ep%C3%ADstola_aos_Cor%C3%ADntios)

É no capítulo 13 da epístola que Paulo fala grandiosamente sobre o amor (em grego ágape) que, em algumas traduções, aparece com o vocábulo caridade:

sexta-feira, 3 de julho de 2015

A culpa NÃO é sua

Por Kel.

Assistindo ao jornal na hora do almoço, ao ver os jornalistas com um sorrisinho no rosto, dando dicas a população de como economizar a energia pro aumento não pesar no orçamento em tempos de "vacas magras", me bateu uma revolta, e me lembrei de um trecho da entrevista que o cantor Criolo deu ao Lazáro Ramos.


Porque?

Porque agora eu e você não temos sequer o direito de tomar um banho de 10 minutos, depois de um dia de trabalho e horas no trânsito até chegar em casa?

Porque agora eu e você não temos o direito de fazer planos, viajar, comprar roupas novas, ir no mercado e comprar o que temos vontade de comer, pra economizar?

Porque eu e você vamos ter que pagar uma conta que não é nossa?

E porque ao invés de usarem a mídia pra nos esclarecer como fomos lesados,  como podemos exigir os nossos direitos e como podemos encontrar os verdadeiros culpados para que sejam punidos, usam a mídia pra fazer nos sentirmos culpados ao tomar um banho de 10 minutos?

A MÃO QUE SEGURA O CHICOTE NÃO É INVISÍVEL.

Parem de defender vagabundo em rede social com brigas ridículas de direita e esquerda.

Parem de acreditar que a solução está na redução da maioridade penal em um sistema carcerário falido como o nosso.

As coisas são como são, porque quem tem dinheiro, quem tem poder, quem PODE mudar, não quer mudar.

Querem mais que todos nós arquemos com as consequências de seus desmandos, enquanto eles continuam lá, assistindo de camarote e rindo da nossa cara, os bobos da corte que se pegam em discursos de ódio em seu nome.

ACORDEM

A CULPA NÃO É SUA E NEM MINHA É DELES.

E antes que alguém fale e diga, porque você Kel não faz alguma coisa, respondo:


Eu faço o que eu posso, eu GRITO...eu escrevo e discuto com todo mundo que venha com discursos de ódio contra os oprimidos.

Oprimidos pra mim são todos abaixo da classe dominante, que trabalham pra se sustentar, enquanto um bando de vagabundo manda e desmanda nesse país e ninguém se meche.

ACORDEM

A CULPA NÃO É NOSSA




segunda-feira, 29 de junho de 2015

É...cheguei nessa conclusão

Por Kel.

Pra tentar entender, resolvi fazer uma linha do tempo, bem resumida da história do Brasil, até os dias de hoje

1500 - Descobrimento do Brasil Clique aqui

1532 - Se inicia a colonização do Brasil Clique aqui

1560 - Os índios foram praticamente dizimados, quase não se tinha mais mão de obra escrava no Brasil. Clique aqui

1641 - Os primeiros escravos africanos chegam ao Brasil. Clique aqui

1888 - É aprovada a lei que proíbe o trabalho escravo no Brasil Clique aqui

1889 - É proclamada a república no Brasil, marcando o fim da monarquia. Clique aqui

1880 - 1910 - Os imigrantes italianos vem para o Brasil, a sua grande maioria eram camponeses pobres. Clique aqui

1964 - 1985 - Período da ditadura no Brasil Clique aqui

1985 - 2015 - Os presidentes do Brasil foram: José Sarney (PMDB) - Fernando Collor e Itamar Franco (PRN) - Fernando Henrique Cardoso (PSDB) - Lula e Dilma (PT) Clique aqui

Eu resumo a história do Brasil com uma só palavra EXPLORAÇÃO.

Nesta terra, nunca existiu de fato a preocupação com as pessoas que aqui habitavam, a única preocupação era como essa terra seria capaz de fazer o homem enriquecer, a qualquer custo.

Muitas pessoas enriqueceram as custas do trabalho escravo, da ignorância e simplicidade do povo, foram mais de 400 anos de escravidão, que acabou a apenas 127 anos atrás.

Sempre tivemos uma grande desigualdade social e a maioria não tem o real interesse de resolver essa questão, as pessoas só se preocupam quando isso as atinge diretamente.

Não somos um povo unido, não somos patriotas, não temos interesse em lutar pelo coletivo, nossa luta é sempre individual até hoje.

Podemos ver cerca de 90% da população se manifestando pela diminuição da maioridade penal, pois isso as afeta diretamente, eu, você o vizinho corremos o risco de ter uma arma apontada diretamente na nossa cabeça por um menor.

Mas não vemos esses mesmos  90%, protestando contra o governo que fechou salas de aula,  que paga um salário baixo aos nossos professores e não investe adequadamente na infraestrutura das escolas, eu, você e o vizinho não protestamos por isso porque não nos afeta diretamente, temos condições de pagar uma escola particular aos nossos filhos e não somos nós os profissionais mal remunerados para cumprir com a missão de ensinar.

Reduzir a maioridade penal é uma medida que não resolve o problema da violência, visto que nosso sistema penitenciário está falido, não recupera ninguém e só aumenta a população carcerária.

Lutar por uma educação de qualidade a todos, isso sim muda nosso futuro, estaremos formando pessoas conscientes de seus direitos e que irão lutar pelo seu país.

Este é apenas um exemplo.

Após assistir os vídeos,  ler o texto do post anterior e fazer uma breve avaliação da história do Brasil, realmente não da pra culpar apenas os políticos e os partidos.

Temos no governo apenas o reflexo do nosso povo.

É preciso lutar, não apenas pelos interesses particulares, é preciso lutar pela nação, pelo povo, pelo nosso país.

Descobrir de quem é a culpa se do PT, do PSDB ou qualquer outra sigla é apenas PERDA DE TEMPO.

Lutemos pelo que realmente importa, pelo direito que temos de viver dignamente em nosso país.







sexta-feira, 26 de junho de 2015

Pois é, eu achava que sabia...

Por Kel.


Eu tinha perguntas que ninguém respondia, ou se respondia não me convencia. De onde vim, pra onde vou e quem eu sou?

Preferi então deixar de questionar e vivia a minha vida de uma forma que não havia mais nada a descobrir, sendo assim o que me restava "curtir a vida" e como se curte a vida em nosso país?
Praia, futebol, cerveja, calor e "amor".

Até que um dia essa curtição não fazia mais tanto sentido, não porque era ruim, mais porque ela não era capaz de resolver os conflitos que eu vivenciava, precisei voltar a me questionar.


De onde vim, pra onde vou e quem eu sou?


Um universo de possibilidades se abriu, e tive a percepção de quantas perguntas  essas três iniciais me ajudariam a formular.


Recentemente questionando o universo político do meu país, juntei um grande quebra cabeças, que me fez enxergar o quanto eu estava errada na minha posição politica que de politizada não tinha nada.


Deixo abaixo, os pontos que me fizeram chegar na conclusão que cheguei hoje e no próximo post falarei a respeito dela.

1- O poder da manipulação da imprensa:




2- Como é feito:


3- O que não nos contaram:

Fonte: Carta Capital

20 anos depois: quem são os donos do plano Real?

por João Sicsú — publicado 17/03/2014 16h27, última modificação 18/03/2014 09h09
A estabilização da inflação aconteceu ao custo da substituição de produtos nacionais por importados e o agravamento da situação fiscal. Por João Sicsú
Blog do Planalto

Coube, sim, aos economistas do PSDB patrocinar o não aprofundamento da fase de sincronização dos preços, a promoção de uma enorme substituição de produtos nacionais por produtos importados durante a fase de estabilização e o agravamento da situação fiscal brasileira
O plano Real, lançado em 28 de fevereiro de 1994, foi um plano influenciado pelas ideias do economista inglês John Maynard Keynes e pelas experiências hiperinflacionárias europeias (da primeira metade do século XX), mas que contou com uma questionável administração de economistas brasileiros e com as (des)orientações do Fundo Monetário Internacional (FMI). Longe de ter sido “idealizado por Fernando Henrique Cardoso”, como afirmam O Globo e outros veículos assemelhados, o plano foi organizado e dirigido exclusivamente pelos economistas do PSDB.
Fernando Henrique Cardoso (FHC) era o ministro da Fazenda durante o período de lançamento do Plano. O presidente era Itamar Franco. Um mês após o lançamento do plano, FHC se desincompatibilizou do cargo para se candidatar à Presidência da República pelo PSDB. Rubens Ricupero assumiu o ministério da Fazenda. Ricupero deveria ser o responsável por toda a condução do plano.
Em um estúdio da TV Globo, antes de uma gravação, o ministro da Fazenda revelou reservadamente ao jornalista Carlos Monforte suas intenções, vontades e ideias sobre o plano Real.  Não contava, contudo, que estava em canal aberto para algumas residências que possuíam antena parabólica. Sua conversa com o jornalista foi gravada e divulgada.
O ministro, falando informalmente sobre o plano Real, disse: “O que é bom a gente fatura. O que é ruim, esconde.” Além disso, afirmou que era o principal “cabo eleitoral” de FHC. Ele se considerava também um achado para a Rede Globo porque a emissora poderia fazer a campanha de FHC através das suas aparições - “o tempo todo no ar”, segundo palavras do próprio ministro da Fazenda.
Após a divulgação da sua conversa com o jornalista da Globo, não restou outra alternativa: ele pediu demissão do cargo em 6 de setembro para não contaminar a campanha tucana à Presidência. Contudo, o mais importante para entendimento da economia política do Real foi a proposta econômica que o ministro fez durante a conversa informal e que viria a se tornar o carro-chefe da fase de derrubada da inflação proposta no plano. À frente, este ponto será desenvolvido.
Antes do lançamento da nova moeda, o real, a inflação era elevada. Mais do que isso: existia um regime de alta inflação, isto é, havia uma dança de preços. Alguns preços subiam porque outros tinham subido. E estes subiam porque aqueles haviam subido. E assim os preços aumentavam de forma sucessiva. Havia uma corrida de preços, mas de forma dessincronizada: aumentavam em momentos diferenciados e com percentuais diferentes. Além disso, nenhum contrato era assinado com a moeda corrente, o cruzeiro real. Os contratos usavam moedas fictícias (referências) ou algum índice para indexar o seu valor à inflação e/ou aos desejos dos contratantes.
Muito foi acumulado em termos de discussões e experiências desde o Plano Cruzado de fevereiro de 1986 até o lançamento do Real. Nos meios acadêmicos fervilhavam artigos e debates sobre o assunto. O Plano Cruzado havia dado errado por um simples fato: o seu carro-chefe foi o congelamento de preços. O raciocínio era simples: se os preços sobem porque outros já subiram, então congelam-se os preços e não haverá mais motivos para reajustes. Errado: os preços estavam dessincronizados, então quem ficara “mal na foto” (isto é, ainda não tinha reajustado o seu preço) no momento em que houve o congelamento não aceitou aquela situação e reagiu, reajustando seus preços. Aí... os outros reagiram também. Assim, ruiu o congelamento e o Plano Cruzado. Utilizado eleitoralmente pelo PMDB, o congelamento de preços foi mantido (com a Polícia Federal e fiscais nas ruas) somente até as eleições de novembro de 1986. O resultado: o PMDB ganhou o governo dos estados de todas as unidades da federação, exceto Sergipe.
Além da experiência do Cruzado, havia mais uma lição muito importante na história econômica. Keynes, o economista inglês, foi convidado pelo governo alemão, em 1922, a apresentar um plano para derrubar a hiperinflação alemã.
Os pilares do Plano de Keynes eram os seguintes: (i) a derrubada da inflação deveria ser uma iniciativa do governo, já que desconfiava de qualquer tipo de ajuda externa, (ii) fixação da taxa de câmbio para promover a estabilização, já que os preços estavam perfeitamente indexados ao dólar (isto é, os preços subiam de forma sincronizada todos os dias) e (iii) os déficits públicos seriam curados posteriormente, depois da estabilização e como consequência do crescimento econômico (que possibilitaria aumento da arrecadação).
Estas lições eram bastante conhecidas entre os economistas brasileiros no início dos anos 1990. Minha dissertação de mestrado, defendida em 1993, intitulava-se “As lições do Plano Keynes para um projeto de estabilização”. Muitos economistas escreveram trabalhos acadêmicos relevantes relacionando as ideias de Keynes, os países que conviveram com a hiperinflação e um plano de estabilização para o Brasil. Destacavam-se Paulo Nogueira Batista Jr. e Gustavo Franco. Rudner Dornbusch, um professor americano do MIT – e que com frequência visitava o departamento de economia da PUC-Rio, ninho dos economistas do PSDB – republicou parte do Plano Keynes em 1987 em artigo de sua autoria.
Na primeira parte da década de 1990, havia uma grande lição já apreendida do Plano Keynes e do fracasso do Cruzado: era preciso sincronizar a dança dos preços com a variação diária do valor do dólar. Dado este passo, o próximo seria o lançamento de uma âncora cambial (cuja versão mais recomendada era o congelamento da taxa de câmbio em um patamar de equilíbrio, isto é, que estimulasse exportações e defendesse o mercado doméstico da invasão de produtos importados). O FMI aproveitou este ambiente para lançar mais uma de suas ideias: países “irresponsáveis” não poderiam ter sequer moeda, deveriam utilizar o dólar americano como moeda. O FMI foi o principal incentivador da radical dolarização argentina, que quase extinguiu o peso durante a década de 1990, e do fim da moeda nacional (o sucre) no Equador, que até hoje está sem sua própria moeda – apesar de ser governado pelo antineoliberal Rafael Correa.
Os economistas do PSDB inventaram uma dolarização disfarçada para a economia brasileira. Uma boa invenção, originária nas proposições de André Lara Rezende e Pérsio Arida (proposição conhecida à época por “Larida”). Lançaram no dia 1º de março de 1994 a Unidade Real de Valor (URV), que valia 1 dólar americano e tentaram por 4 meses (de março a junho) URVerizar todos os preços. Em outras palavras, estimularam que os preços subissem todos os dias de forma sincronizada e referenciada na URV que valia 1 dólar – e que variava de valor todos os dias.
A tentativa de dolarização/sincronização de preços à brasileira foi um fiasco. Somente os contratos públicos (energia elétricas e outros) aderiram, de fato, à URV. Existem trabalhos científicos (nunca contestados) publicados na Revista de Economia Política que demonstram esta afirmação. Na época, surgiu um racha entre os economistas do PSDB. Uns avaliavam que seria necessário que o período de dolarização/sincronização tivesse pelo menos um ano para que todos os preços aderissem à URV. Outros, não. O motivo para o tiro curto de apenas quatros meses foi essencialmente eleitoral.
Óbvio que uma boa sincronização seria desejada para que a fase seguinte, a da estabilização, fosse bem sucedida – afinal, a lição do Cruzado estava viva na memória dos economistas. Mas a parte vencedora argumentou que tal fase deveria ser curta (não havia tempo, diziam). A fase de estabilização deveria chegar logo, deveria ocorrer pelo menos quatro meses antes das eleições de novembro de 1994. Caso contrário, perderiam as eleições, já que Lula estava bem na frente de FHC – em maio, as pesquisas apontavam a vitória do petista no primeiro turno (43% contra 17% de FHC) – a reviravolta eleitoral somente ocorreu depois de 1º de julho, quando entrou em cena a nova moeda, o real, em substituição à velha, o cruzeiro real.
A fase de sincronização da dança de preços via URV foi um fiasco econômico. Então, alguns céticos do plano Real pensaram que tudo daria errado porque os preços voltariam a dançar e subir, tal como no Plano Cruzado. Os economistas do PSDB sabiam que isto, de fato, poderia ocorrer. Lançaram mão de uma “âncora” inovadora: câmbio megavalorizado e abertura comercial. A âncora lançada em 1º julho não foi a do câmbio fixo e equilibrado, tal como estava no Plano Keynes, mas sim a do câmbio flutuante (para baixo) e do câmbio megavalorizado (inicialmente com R$ 1 comprava-se US$ 1,mas logo em seguida com 84 centavos de real comprava-se 1 dólar americano). Com esse câmbio e com a abertura comercial, as pressões por reajuste foram dissolvidas de forma truculenta com uma invasão avassaladora de produtos importados.
O caminho foi exatamente aquele anunciado pelo ministro Ricupero na conversa reservada que foi capitada pelas antenas parabólicas. Ele considerava que quem desejava fazer reajustes eram “bandidos” e que ele daria uma “pancada” promovendo importações. Disse:
- Eu vou fazer um troço firme.
- É pra tudo quanto é bem de consumo e tal. Importação de tudo. ... Bens duráveis também.
- Vou fazer uma coisa grande.
- É tudo bandido.
O que manteve os preços estabilizados, após o lançamento da nova moeda em 1º de julho de 1994, foi a concorrência desleal de produtos importados – essa foi a principal “âncora” do plano Real – não existiu qualquer âncora cambial, tal como sugerida por Keynes ou aplicada em diversas experiências. Não houve acomodação de preços, mas sim o deslocamento de produtos nacionais e a introdução de produtos importados no mercado doméstico brasileiro. O valor das importações de bens de consumo era, em 1993, US$ 3,2 bilhões; em 1998, alcançou US$ 10,8 bilhões – mais que triplicou!
Dessa forma, os preços foram controlados e as pressões foram, dissolvidas pela exclusão de produtos domésticos do mercado brasileiro. Logo em seguida, para fazer crer que o que estava funcionando era a âncora cambial, foi permitida a concessão de crédito bancário em dólares – a operação era feita em real, mas era convertida de acordo com a taxa de câmbio do dia. Também a dívida pública interna foi, em boa parte, dolarizada para fazer crer que até o governo não aceitaria uma desvalorização.
Embora vendessem a fantasia do câmbio fixo, o crucial para os economistas do PSDB, à época, não era se o câmbio estava congelado, mas sim se ele estava megavalorizado para ser combinado com uma estratégia de abertura comercial. As importações cresceram, o saldo negativo com o exterior aumentou e os preços foram estabilizados, mas com taxas de juros estratosféricas com o objetivo de atrair dólares para o país. Essas taxas de juros bancavam a avalanche de importações de bens de consumo. Em 1994, a taxa de juros Selic média foi superior a 70% ao ano; em 1995, superior a 54%. No período que vigorou o plano Real, entre 1º de julho de 1994 a meados de 1999 (quando foi implantado o regime de metas de inflação), a taxa de juros Selic média foi de 38% ao ano.
Em 1998, a taxa de câmbio super-hiper-megavalorizada já não era mais suportável. Houve muitos debates internos entre economistas do PSDB e foi decidido pelo presidente-candidato à reeleição que a desvalorização somente ocorreria após as eleições de novembro. Vitorioso nas urnas com a promessa que não haveria desvalorização (veja a capa de O Globo de 31 de agosto de 1998: FH GARANTE QUE NÃO MEXE NOS JUROS NEM NO CÂMBIO). Mas em janeiro de 1999, FHC substituiu o presidente do Banco Central, que estava provavelmente entre aqueles que não queriam a desvalorização, e autorizou o desmonte da farsa eleitoral e econômica: o câmbio foi desvalorizado.
Os céticos erraram novamente. Pensaram: “agora a coisa afunda”. Não percebiam que a âncora do Real era outra. Apesar da desvalorização ocorrida dentro de uma “banda diagonal transversa”, segundo os termos quase ininteligíveis do novo presidente do Banco Central, o dólar continuava muito barato.
Esta foi a história do Plano Real. Entre 1999 e 2003/4 houve somente o aprofundamento dos fundamentos macroeconômicos ditados pelos economistas liberais do PSDB e pelo FMI. Os resultados dos anos de Plano Real foram dramáticos em termos de criação de empregos formais, de crescimento e concentração de renda.
A “responsabilidade” fiscal apregoada (pelo FMI e os economistas do PSDB) foi transformada em elevação da carga tributária e da dívida líquida pública como proporção do PIB. Os resultados fiscais somente viriam a melhorar (e muito) com o crescimento econômico da era Lula – tal como sugeria o Plano Keynes. Cabe lembrar que a primeira fase do Real, anterior à suposta sincronização de preços e à estabilização da inflação, era a fase da busca do equilíbrio das contas públicas. Neste ponto talvez resida o maior desastre do plano Real. A dívida líquida do setor público em relação ao PIB, de 38,2% em 1993, saltou para 48,7% em 1999.
A maior herança benigna do Plano Real foi a consciência antiinflacionária absorvida pela sociedade (para a qual o plano Cruzado também contribuiu). Sim, a inflação foi controlada, mas isso não isenta os organizadores e condutores do plano Real de seus graves equívocos. Por outras vias, mais aderentes ao plano Keynes, a inflação também teria sido debelada – é o que mostram inúmeras experiências. Não foi somente o Brasil que enfrentava um regime de alta inflação e não foi somente o Brasil que conseguiu superá-lo. Por exemplo, na Argentina, nos cinco primeiros anos pós-estabilização, a economia cresceu em média 7,8% ao ano – em seguida as orientações do FMI levaram a Argentina para uma crise profunda. Mas, no Brasil, o crescimento foi medíocre e, em decorrência, os custos sociais foram altos demais.
A primeira fase do Real promoveria um ajuste fiscal e melhoraria os resultados das contas públicas. Ocorreu o inverso. A segunda fase, a da sincronização do reajuste de preços, foi apenas “para inglês ver”. E a terceira fase, a da estabilização, obteve êxito, mas alcançou seu objetivo à custa de juros altos para conter a perda de reservas, desnacionalização da economia, geração de poucos empregos formais, baixo crescimento e concentração de renda. Poderia ter sido bem sucedida sem estes custos.
Ainda sobre a última fase do Real, a fase de estabilização, que foi de julho de 1993 a meados de 1999, vale uma observação muito importante: a inflação média desse período foi superior a 12% ao ano – uma inflação muito superior à inflação dos últimos dez anos, que é inferior a metade daquela registrada nos anos que são hoje comemorados pelo PSDB. Portanto, o que o plano Real fez, de fato, foi lançar as bases da estabilização consagrada apenas no último decênio – é o que está provado pelos números. Mas cabe uma observação: a sociedade brasileira precisa de muito mais do que uma economia com inflação controlada –  e tudo o que vai além disso não foi sequer iniciado nos governos do PSDB.
Vale o exame de alguns outros números. A concentração de renda foi extraordinária nos anos do plano Real: a participação dos salários no PIB caiu de 45,1% em 1993 para 38,2% em 1999. A carga tributária aumentou 11% entre 1993 e 1999. A taxa média de crescimento econômico foi de 2% (a mesma taxa de crescimento do governo Dilma). No primeiro mandato de FHC, que corresponde à aproximadamente ao período do plano Real, foram criados apenas 824 mil empregos formais (em 4 anos), um número ridículo se comparado à média da última década, que tem sido a criação de mais de 1 milhão de empregos formais por ano.


A concepção original do Plano Real era excepcional e tinha base teórica e histórica – contudo, não foi uma invenção de economistas brasileiros. Coube, sim, aos economistas do PSDB patrocinar o não aprofundamento da fase de sincronização dos preços, a promoção de uma enorme substituição de produtos nacionais por produtos importados durante a fase de estabilização e o agravamento da situação fiscal brasileira. Mas hoje, 20 anos depois, somente lembram do que chamam de derrubada da inflação. Não possuem sequer a honestidade intelectual para reconhecer os erros e os custos sociais pagos em nome de estratégias eleitorais e crenças neoliberais.

Nos vemos no próximo post!!